O E
O E
Não é mais sobre entender, nem sobre chegar primeiro.
É sobre estar inteiro mesmo quando algo em mim treme.
Caminhei anos juntando mapas, nomes para o invisível, teorias como pontes sobre rios que eu não atravessava.
Agora o chão se abriu.
E não caiu.
Se expandiu para o alto.
Sinto sem precisar saber.
Percebo sem precisar concluir.
Há um silêncio que entende antes que a palavra nasça.
Estou acuado.
E estou livre.
Não escolho.
Permito.
O medo senta à mesa com a confiança.
A escassez observa enquanto a abundância respira.
Nada se exclui.
Nada disputa.
Tudo encontra lugar quando deixo de empurrar.
Sou humano: tropeço e dúvida.
Sou divino, confiante e calmo.
Perdido… e já em casa.
Não preciso resolver o nó para que o fio se reorganize.
A energia sabe.
O E chega quando paro de pedir provas.
Quando descanso da busca.
Quando consinto em ser viva contradição.
A vida é caótica.
Dolorosa às vezes.
E ainda assim… tudo está bem no campo que se abre.
Respiro.
E no meio do respiro não escolho um lado.
Eu Sou.
E isso basta.