O Brasileiro e a Branquitude

O Brasileiro e a Branquitude

Recentemente, fiz um penteado afro no meu cabelo.

E foi interessante perceber o impacto causado em algumas pessoas que me veem como um “homem branco”.

Sou um brasileiro que mora em uma cidade com fortes raízes africanas, conterrâneo de Zumbi dos Palmares e tive antepassados africanos.

Apesar da cor da minha pele, não desejo me encaixar nesse padrão chamado “branquitude”.

A reação que um simples penteado provoca pode revelar o quanto a aparência física ainda é usada como um rótulo social.

Muitas pessoas aprendem a associar certos traços, estilos de cabelo ou formas de se vestir a identidades rígidas, como se cada aparência tivesse um lugar definido na sociedade.

No entanto, a história brasileira é feita de misturas, encontros e cruzamentos culturais que não cabem em categorias tão simples.

Quando alguém se surpreende com um penteado afro em quem considera “branco”, talvez esteja apenas diante de um espelho da própria complexidade do Brasil.

Nossa aparência pode sugerir algo à primeira vista, mas ela nunca conta toda a história de quem somos.

O corpo, o cabelo e o modo de se apresentar também podem ser formas de lembrar e honrar raízes que a sociedade muitas vezes tenta simplificar ou esquecer.

Nesse sentido, a aparência deixa de ser apenas estética e passa a ser também uma expressão de memória, pertencimento e consciência.

LH Albuquerque

Reflexões Almaandu

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