Perdão e Identidade
Perdão e Identidade
O verdadeiro perdão não tem cunho moralista.
Ele surge quando saímos da lógica de certo e errado e acessamos diferentes estados de consciência.
O que impede o perdão é a resistência - e resistir não é falha; é humano.
Há também o medo do vazio identitário que o perdão provoca, pois ele não é um simples gesto relacional, mas a dissolução de uma identidade sustentada pela dor.
Por isso, o perdão não está no campo do outro. Não é reconciliação, justiça ou esquecimento.
É desidentificação: deixar de sustentar um aspecto que o sofrimento criou.
Além disso, o perdão não é permanente.
Não existe “perdoei e pronto”. Há fluxo, aproximações e afastamentos.
Ele amadurece quando o humano confia que ele não desaparecerá ao soltar suas defesas.
Perdoar é, em essência, um exercício profundo de autoaceitação.