Perdão e Identidade

Perdão e Identidade

O verdadeiro perdão não tem cunho moralista.

Ele surge quando saímos da lógica de certo e errado e acessamos diferentes estados de consciência.

O que impede o perdão é a resistência - e resistir não é falha; é humano.

Há também o medo do vazio identitário que o perdão provoca, pois ele não é um simples gesto relacional, mas a dissolução de uma identidade sustentada pela dor.

Por isso, o perdão não está no campo do outro. Não é reconciliação, justiça ou esquecimento.

É desidentificação: deixar de sustentar um aspecto que o sofrimento criou.

Além disso, o perdão não é permanente.

Não existe “perdoei e pronto”. Há fluxo, aproximações e afastamentos.

Ele amadurece quando o humano confia que ele não desaparecerá ao soltar suas defesas.

Perdoar é, em essência, um exercício profundo de autoaceitação.

LH Albuquerque

Reflexões Almaandu

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