O Vazio Não Deve Ser Evitado
O Vazio Não Deve Ser Evitado
O humano foi treinado a acreditar que precisa sempre ir, responder, reagir, querer, decidir, sustentar uma identidade em movimento constante.
Como se a existência dependesse de uma participação incessante no drama, nas certezas e nos impulsos.
Mas existe um outro tipo de inteligência que nasce quando algo dentro de você já não corre atrás.
Há sabedoria em não ir quando a consciência, naturalmente, não deseja mais alimentar certos caminhos.
Há sabedoria em não saber, porque o “não saber” desmonta a arrogância mental e abre espaço para a percepção verdadeira.
Há sabedoria em não responder, porque nem toda provocação merece continuidade energética.
E talvez exista uma das maiores sabedorias em não querer mais — não como desistência amarga, mas como liberação de antigos apetites da identidade.
Muitas vezes, o “não querer mais” é o fim de uma fome antiga: a fome de aprovação, de explicação, de controle, de salvação, de pertencimento, de vencer debates internos e externos.
E então sobra algo muito simples: presença.
Não precisar preencher todos os silêncios.
Não precisar ter opinião sobre tudo.
Não precisar correr para definir o que ainda está se revelando.
O verdadeiro movimento não é se mover compulsivamente para evitar o vazio.
Muito pelo contrário, o vazio não deve ser evitado.
Ele é também espaço de criação.